quarta-feira, 23 de junho de 2021

Documentário "The Family"

A Netflix lançou um novo documentário sobre o grupo religioso secreto 'The Family'. Apesar de suas falhas, é imperdível.

Por John Fea

16 de agosto de 2019 às 7h GMT-3

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Na semana passada, a Netflix lançou “ A Família ”, um documentário em cinco partes sobre um grupo secreto de cristãos com a missão de espalhar os ensinamentos de Jesus em Washington, DC, e além. Muitos progressistas vão adorar o documentário porque lhes dá o que querem ouvir, enquanto os conservadores provavelmente questionarão os motivos dos envolvidos.

“A Família” é dirigido por Jesse Moss e baseado em dois livros do jornalista Jeff Sharlet: “ A Família: O Fundamentalismo Secreto no Coração do Poder Americano ” (2008) e “ Rua C: A Ameaça Fundamentalista à Democracia Americana ” (2010 ) (Sharlet é um produtor executivo e tem uma quantidade significativa de tempo de câmera.)

Os livros de Sharlet atraíram eruditos progressistas preocupados com a ameaça da direita cristã à separação entre Igreja e Estado, mas seu trabalho também teve sua cota de críticos.

O historiador da religião Randall Balmer, que nos últimos 30 anos tem sido um dos nossos observadores mais perspicazes do evangelicalismo americano, criticou “A Família” em uma crítica de 2008 no The Washington Post. Balmer criticou o uso desleixado da história por Sharlet, seu estilo paranóico e sua incapacidade de levar a sério os membros da Família que não se identificavam com a direita cristã. (Coincidentemente, Balmer e Sharlet são agora colegas em Dartmouth.)

Quando Sharlet publicou seus livros, muitos observadores da religião americana, como Balmer, eram céticos em relação às teorias da conspiração sobre os esquemas teocráticos de grupos de seitas que trabalhavam nos bastidores em Washington.

Os historiadores do cristianismo americano trabalharam arduamente tentando convencer os acadêmicos e o público em geral de que o evangelicalismo era um movimento religioso, não uma cobertura para uma tentativa nefasta de criar uma teocracia puritana do século 17. Os esforços desses historiadores, é claro, não foram fáceis durante a Era de Reagan, a maioria moral e as "guerras culturais". O livro de Sharlet não ajudou a causa.

Mas muita coisa mudou na última década. Na verdade, o documentário de Moss e Sharlet, que dedica a maior parte de sua cobertura aos desenvolvimentos em “A Família” após 2010, é bastante oportuno. A direita cristã encontrou energia renovada desde a eleição do presidente Trump. O nacionalismo cristão, a ideia de que os Estados Unidos foram fundados como uma nação cristã e precisam retornar às suas raízes religiosas, está em ascensão . Muitos eruditos e estudiosos se perguntam se o movimento evangélico pode ser separado da agenda do Partido Republicano.

É hora de examinar o trabalho de Sharlet (e agora o trabalho de Moss) com novos olhos, e somente por esse motivo, “The Family” é uma exibição obrigatória.

Abraham Vereide, um evangélico norueguês, fundou a Família (seu nome original era Liderança Cristã Internacional) em 1935 para fornecer um espaço para homens com poder em sua cidade natal de adoção, Seattle, se reunirem regularmente para orar e estudar a Bíblia.

Como Sharlet observa em “The Family”, e o historiador de Princeton Kevin Kruse argumentou em seu livro “ One Nation Under God: How Corporate America Invented Christian America ”, a organização de Vereide tinha mais do que apenas uma agenda espiritual. Ele fundiu o cristianismo evangélico com o capitalismo corporativo para derrotar o que ele acreditava ser as tendências socialistas do New Deal de Franklin D. Roosevelt. A Família surgiu em um momento de agitação trabalhista em Seattle, e Vereide usou sua comunhão de empresários cristãos para esmagar o crescente movimento de trabalhadores da cidade.

Sharlet aprendeu sobre a Família quando foi convidado a morar em Ivanwald, uma casa em Arlington, Virgínia. Os rapazes, preparando-se para uma futura liderança no movimento, residiam lá na comunidade espiritual e passavam um tempo atendendo às necessidades da liderança da Família e internacional dignitários que se conheceram em uma mansão próxima conhecida como Cedars. O episódio 1 de “The Family” dramatiza a experiência de Sharlet em Ivanwald.

A Família agora é mais conhecida por patrocinar o Café da Manhã Nacional de Oração, um evento que atraiu especialmente os evangélicos. O sucessor de Vereide, Doug Coe; eventualmente assumiu o controle da reunião; Líderes religiosos no mundo da política, negócios e cultura vêm a Washington todo mês de fevereiro para compartilhar uma refeição e construir redes entre crentes que pensam da mesma forma. Desde a sua criação, todos os presidentes - de Eisenhower a Trump - compareceram.

Coe, falecido em 2017 , era um enigma, e o documentário não nos ajuda a conhecê-lo melhor. Por um lado, Coe parece ter sido um cavalheiro cristão gentil, com raízes nos principais ministérios evangélicos, que se sentiu chamado a ministrar a políticos, legisladores e outros homens de influência em Washington. Sua principal preocupação era falar às pessoas sobre Jesus.

Mas o Coe retratado aqui era um mestre de marionetes que exigia lealdade de seus seguidores. Ele subsidiou ilegalmente o aluguel de congressistas que moravam em uma casa de propriedade da Família chamada C Street Center. Ele modelou a filosofia organizacional da Família segundo a máfia e os nazistas. E ele operou em segredo com pouca responsabilidade.

Moss e Sharlet parecem estar interessados apenas neste lado sombrio de Coe. Eles se concentram nos numerosos esforços da Família para confundir ou, em alguns casos, cruzar a linha entre a Igreja e o Estado. Esse é especialmente o caso nos episódios que tratam da influência da Família fora dos Estados Unidos. “A Família” documenta vários incidentes em que a organização de Coe financiou a viagem de membros do Congresso para se encontrarem com líderes mundiais autocráticos com o propósito de compartilhar a mensagem de Jesus. Embora essas reuniões não sejam problemáticas por si mesmas, o documentário aponta que esses embaixadores de Cristo raramente condenam, ou em alguns casos simplesmente ignoram, as violações dos direitos humanos desses líderes.

Além disso, os líderes mundiais muitas vezes consideram essas delegações como enviados dos Estados Unidos. Sharlet expressa isso bem quando diz que Coe e os membros do Congresso da Família se reúnem com líderes mundiais “como representantes do governo mais poderoso do mundo”, mas quando chegam, afirmam que “estão apenas falando sobre o meu Jesus. ” Alguns desses congressistas até avançaram a agenda religiosa da Família enquanto serviam em viagens oficiais do governo financiadas pelos contribuintes, e pelo menos um passou um tempo na prisão por lavagem de dinheiro por meio da Família.

De fato, “The Family” apresenta um caso convincente de que muitos dos seguidores de Coe são nacionalistas cristãos que usam táticas de fomento ao medo e influência política para espalhar um falso evangelho que iguala o cristianismo ao poder mundano.

Muitos telespectadores irão inevitavelmente equiparar a Família ao evangelicalismo americano. E quem os culparia se o fizessem? Algumas das práticas mais problemáticas da Família refletem uma abordagem à religião e política que levou 80 por cento dos evangélicos americanos a votar em Trump em 2016. Muitos dos políticos que gravitam em torno da Família realizaram campanhas destinadas a convencer os evangélicos de que gays, muçulmanos, Barack Obama e os imigrantes estão corroendo a América cristã branca.

Mas a Família também parece ser uma organização muito mais complexa do que o movimento quase teocrático que Moss e Sharlet fazem parecer. A história da organização sugere que seus membros e amigos também incluem cristãos que rejeitam o nacionalismo cristão que veio a definir muito do evangelicalismo. Por que Hillary Clinton ou o progressista evangélico Jim Wallis ou Jimmy Carter gravitaram em torno de Coe? (Para ser claro, nenhum deles é considerado “membro” da Família. Clinton e Wallis não aparecem no documentário, mas Carter é entrevistado.) Coe os enganou? Ou eles acreditavam que a visão de Coe para a oração e o estudo da Bíblia não era apenas apropriada, mas valiosa, nos Estados Unidos? Moss e Sharlet não parecem interessados em explorar essas questões.

Tomemos, por exemplo, o grupo de comunhão inspirado na Família que se reúne em Portland, Oregon, e é apresentado com destaque no Episódio 5. Os homens presentes são intensos sobre sua fé. Eles revelam uma abordagem masculina da fé cristã que faz parte do movimento há muito tempo. Mas eles passam pouco tempo falando sobre governo ou política.

O grupo é inter-racial e é liderado por um evangélico afro-americano. Um membro branco critica abertamente Moss pela falta de diversidade racial em sua equipe de filmagem. Em um ponto, a conversa parece que poderíamos estar assistindo a uma reunião local do Black Lives Matter. Mesmo assim, Sharlet parece sugerir que esses homens estão sendo treinados, assim como os rapazes que encontrou em Ivanwald, para promover a missão teocrática da Família.

Os membros do grupo de Portland não são corretores de elite. Eles parecem ser homens comuns com problemas cotidianos que desejam ser maridos e pais melhores. Eles lutam com a pornografia, lamentam a prevalência do divórcio e do adultério, mesmo quando percebem que não estão imunes a tais problemas, falam sobre reconciliação racial, se desafiam a entregar suas vidas a Deus, mostram-se humildes e responsabilizar uns aos outros em sua busca pela fé cristã.

Talvez seja isso que a Família, em sua essência, e apesar de suas muitas falhas, realmente se trata.

John Fea ensina história americana no Messiah College em Mechanicsburg, Pensilvânia, e é o autor, mais recentemente, de " Acredite em mim: o caminho evangélico para Donald Trump ".

Correção: Uma versão anterior desta peça afirmava incorretamente que Doug Coe começou a reunião do café da manhã de oração e foi atualizada para refletir que ele assumiu a reunião. Esta peça também foi atualizada para corrigir o nome original do grupo perfilado no documentário: Liderança Cristã Internacional. A peça também foi atualizada para esclarecer que o autor acredita que Jeff Sharlet parecia sugerir que homens estavam sendo treinados para promover a Família.


https://www.washingtonpost.com/religion/2019/08/16/netflix-released-new-documentary-secretive-religious-group-family-despite-its-flaws-its-must-see/


terça-feira, 15 de junho de 2021

EL PAÍS -A prisão de Paulo Freire, “subversor dos menos favorecidos”, na ditadura

A prisão de Paulo Freire, “subversor dos menos favorecidos”, na ditadura

https://brasil.elpais.com/brasil/2019/10/22/cultura/1571754417_189523.html

Educador brasileiro foi preso por mais de 70 dias durante o regime militar sob a justificativa de doutrinação marxista. Leia trecho do livro 'O Educador', de Sérgio Haddad


Quando os militares tomaram o poder em 1º de abril de 1964, depondo o então presidente João Goulart, Paulo Freire vivia com a família em Brasília, a serviço do Ministério da Educação e Cultura (MEC). Envolvido com o trabalho de formação de professores em Goiânia, era sua assistente, Carmita Andrade, quem o mantinha informado sobre a intensa movimentação política na capital. Apenas dois dias antes, Carmita havia sugerido que ele voltasse a Brasília de imediato, porque as tensões pareciam se agravar decisivamente. Retornado às pressas, Paulo se surpreendeu ao procurar Júlio Furquim Sambaqui e ser convidado a acompanhar a leitura de uma conferência que o ministro daria dali a alguns dias. O chefe queria sua opinião. Incrédulo com a ingenuidade de Sambaqui, Paulo o alertou para o que lhe parecia um quadro de grave instabilidade institucional — e para a improbabilidade de ocorrer qualquer nova atividade do governo que representavam. No dia seguinte, os militares se instalariam no poder.

O ambiente político tornou-se tenso, com notícias desencontradas de todos os lados: haveria resistência da população? O Governo deposto conseguiria reagir ao golpe de Estado? Diante do clima de insegurança e da incerteza sobre seu futuro no ministério, Paulo pediu à mãe que levasse os filhos dele para Recife, onde mantinha uma casa. Providências tomadas, ele e a esposa, Elza, permaneceram em Brasília, levando uma vida reservada na casa de amigos. Queriam ser notados o mínimo possível.

Com lançamento previsto para 13 de maio, o Programa Nacional de Alfabetização seria extinto em 14 de abril, treze dias depois do golpe militar. O novo Governo aproveitou a ocasião para fazer duras acusações ao trabalho que Paulo e sua equipe vinham desenvolvendo; apontaram o material didático produzido como contrário aos interesses da nação e acusaram seus autores de querer implantar o comunismo no país. Acabava ali o sonho de lançar 60.870 Círculos de Cultura para alfabetizar 1,8 milhão de pessoas ainda em 1964, 8,9% do total na faixa de quinze a 45 anos que não sabiam ler nem escrever. A preocupação maior de Paulo era agora com o imponderável, um futuro incerto e perigoso para ele e sua família diante de tais acusações e do clima de perseguição política que se instalara.

Ao extinguir o Programa Nacional de Alfabetização, os militares respondiam às pressões de parcela conservadora da sociedade brasileira que atacava e desqualificava o trabalho de Paulo Freire. As denúncias passaram a ser instrumento de luta dos partidos políticos que apoiavam o golpe contra as siglas ligadas ao ex-presidente João Goulart. Paulo viu sua situação se tornar cada vez mais complicada.

Condenação do método

Na Câmara dos Deputados, políticos conservadores se revezavam na condenação permanente de seu método de alfabetização. Em 18 de abril, o deputado Emival Caiado, do partido conservador União Democrática Nacional (UDN), denunciou Mauro Borges, então governador de Goiás e aliado do ex-presidente Jango, de implantar o comunismo no Estado: “O método comunizante do sr. Paulo Freire teve entusiástica acolhida do Governo goiano. O sr. Mauro Borges deu total e completa cobertura a órgãos estudantis dominados por comunistas”. Caiado concluiu, aos brados: “Não creio que em nenhum outro Estado o comunismo tenha se infiltrado tanto!”.

Intensamente debatido como uma questão social das mais relevantes, o analfabetismo exigia dos militares uma resposta rápida, algo concreto que pudesse ser contraposto ao que vinha sendo feito nos anos anteriores. Em 15 de maio, os jornais Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo repercutiram a proposta apresentada pela vereadora paulistana Dulce Salles Cunha Braga ao novo ministro da educação, Flávio Suplicy de Lacerda. Figura ativa na articulação do golpe, a advogada e professora afirmava poder erradicar o analfabetismo no Brasil em apenas oito meses. Denominado “Alfabetização para massas”, seu método teria se mostrado bastante eficiente ao ser aplicado a partir de veiculação na rádio Record, no estado de São Paulo. Dulce propunha, com base nessa experiência, uma cartilha a ser distribuída pelo MEC, com apoio radiofônico do pro- grama A voz do Brasil, a fim de alcançar todo o território nacional. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, uma nova versão da cartilha já estaria pronta para divulgação imediata, com leituras retiradas do “ideário democrático, numa espécie de réplica ao modelo comunizante do método Paulo Freire”. O ministro Suplicy de Lacerda respondeu que analisaria a proposta com atenção e que logo se manifestaria.

Ao mesmo tempo, também o debate sobre o voto do analfabeto voltou à tona nos meses que se seguiram ao golpe militar. Em um país que historicamente proibia o voto aos iletrados, o Programa Nacional de Alfabetização representava uma ameaça aos redutos políticos cativos nas eleições seguintes. Em Sergipe, por exemplo, o Programa permitiria acrescer 80 mil eleitores aos 90 mil já existentes. Da mesma forma, em Recife, a iniciativa praticamente dobraria a quantidade de eleitores, elevando de 800 mil para 1,3 milhão o número de títulos. Projetados no cenário nacional, os exemplos demonstravam como o método do professor Paulo Freire, que propunha alfabetizar um iletrado em 40 horas, poderia alterar a correlação das forças políticas.

Como o programa de alfabetização, a questão do voto dos analfabetos também estava em debate e exigia uma resposta do novo governo. O marechal Humberto de Alencar Castello Branco, primeiro militar a assumir a presidência depois do golpe, encaminhou ao Congresso Nacional uma proposta de mudança tímida, que estendia o voto aos iletrados apenas nas eleições municipais — e de maneira facultativa. Ainda assim, a proposição foi derrotada, em parte pelo pouco empenho da bancada governista, fazendo crer que a medida era mero jogo de cena.

Intensiva propaganda comunista

Em sua edição de 30 de junho de 1964, o jornal O Estado de S. Paulo publicou um artigo de Antônio Bernardes de Oliveira, médico, professor universitário e membro da Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo, intitulado “O voto do analfabeto, um desserviço à Nação”. O autor argumentava que tal possibilidade “só pode interessar ao demagogo e ao oportunista sem escrúpulos; não corresponde a nenhuma aspiração nacional; anula e avilta o voto consciencioso e de qualidade; compromete o regime; afasta as elites legítimas; reduz o papel dos partidos; convida ao suborno; nivela por baixo”. Sobre o método de Paulo Freire, em sua opinião adotado pelo governo deposto apenas para ampliar o colégio eleitoral, Bernardes de Oliveira dizia não passar de “uma manobra para alcançar dois escopos, uma intensiva propaganda comunista e a eclosão de uma invencível força eleitoral de índole facciosa onde a demagogia teria as portas abertas”.

Em Brasília, Paulo assistia a tudo com discrição. Elza já havia voltado para Recife para ficar junto aos cinco filhos do casal — Madalena, a mais velha, com dezoito anos, seguida por Cristina, Fátima, Joaquim e o caçula Lutgardes, então com cinco anos. Através de um intermediário com contatos entre os militares, Paulo sondou o então chefe do Gabinete Militar, o general Ernesto Geisel, e o general Antônio Carlos Muricy, comandante da 7ª Região Militar, se haveria algum impedimento para que deixasse Brasília e se juntasse à família. Quando soube que não, embarcou imediatamente para Pernambuco.

Chegando em Recife, tratou de retomar suas atividades acadêmicas e seus escritos, que havia deixado de lado com a mudança para Brasília. Paulo conquistara alta visibilidade a partir de 1963, quando encampou uma experiência de alfabetização em Angicos, no Rio Grande do Norte, trabalho desenvolvido com a equipe do Serviço de Extensão Cultural (SEC) da Universidade de Recife. Ali, 300 jovens e adultos participaram de seu processo de alfabetização em 40 horas. Amplamente propagandeados pelo governo estadual, os bons resultados levaram João Goulart a se deslocar de Brasília até o interior potiguar para participar do encerramento do curso. Com o sucesso e a repercussão da iniciativa, Paulo foi convidado pelo Ministério da Educação e Cultura a estender o trabalho para todo o país. Aceitou a proposta e se mudou com a família para Brasília. Em junho de 1963, começou a trabalhar na formação de futuros coordenadores dos núcleos de alfabetização, que seriam implantados em praticamente todas as capitais. Só no estado da Guanabara, cerca de 6 mil pessoas se inscreveram naquela ampla mobilização nacional pela educação, que seria interrompida pelos militares em abril do ano seguinte.

De volta a Recife, Paulo se apresentou voluntariamente à Secretaria de Segurança Pública e constatou que não havia qua quer ordem de prisão contra ele. Foi informado, no entanto, de que poderia ser chamado para depor a qualquer momento.

Intimidação durante a ditadura

O clima de intimidação era geral. As universidades e demais instituições de ensino público seriam afetadas diretamente pelos Atos Institucionais, que davam poder aos militares a partir de comissões de investigação instauradas para averiguar opositores, cassar mandatos políticos, destituir de cargos e retirar o direito ao voto. Com o objetivo declarado de voltar a integrar os alunos “na sua tarefa precípua de estudar e os professores na sua missão de ensinar”, as medidas estabeleciam um rígido controle sobre o universo estudantil com a pretensão de coibir os crescentes protestos e manifestações.

Atendendo às orientações impostas pelo Ato Institucional nº1, de 9 de abril de 1964, João Alfredo, reitor da Universidade de Recife, em que Paulo trabalhava, convocou uma reunião do Conselho Universitário para o dia 27 de abril. Decidiu-se instalar uma comissão de professores para apurar responsabilidades de docentes e servidores na “prática de crime contra o Estado e seu patrimônio, a ordem política e social, ou atos de guerra revolucionária”, conforme rezava a portaria. Essa co- missão deveria abrir rapidamente sindicâncias e analisar documentos a fim de elaborar relatórios para o reitor.

Paulo foi interrogado sobre sua atuação na universidade. A comissão solicitou que os esclarecimentos necessários à sua defesa lhe fossem passados por escrito. Os dias seguintes foram dedicados a produzir um documento descritivo de seu trabalho, em resposta às dezoito perguntas encaminhadas a ele. Paulo aproveitou para tecer considerações pessoais, indignado com a evolução dos fatos na instituição de ensino e no país. O documento seria entregue no dia 25 de maio. Ao esclarecer que atuava no SEC desde sua implantação, em 1962, Paulo chamava a atenção para o fato de ser amigo do reitor, a quem tinha o dever de lealdade: “Aprendi com meu pai e com minha Igreja que a lealdade, a coragem e a honradez, a retidão não podem ser desprezadas pelo homem, sob pena de se desprezar a si mesmo, e deixar de já ser homem”. O documento respondia às perguntas enumerando as atividades realizadas nos dois anos anteriores. Paulo mencionou que havia sido convidado pelo então ministro Paulo de Tarso para coordenar um programa nacional de educação para adultos, e não simplesmente de alfabetização. E que entendia o convite como honroso não só para ele, mas também para a universidade. Por isso havia exigido que o trabalho ocorresse por meio do SEC, em convênio do ministério com a Universidade de Recife, na qual continuaria com suas pesquisas regulares.

Atividades consideradas subversivas

Em relação às críticas da imprensa recifense sobre suas atividades, tachadas de subversivas ou propagadoras de ideias contrárias ao regime democrático, respondeu que não só tinha conhecimento do que se dizia na cidade “mas também em todo o Brasil e que a leitura dessas críticas lhe servira para fazer um verdadeiro curso de como se pode, por ignorância, má-fé, ou outras coisas quaisquer, distorcer o pensamento dos homens”. Em contrapartida, destacou a valorização e o apoio ao trabalho do SEC em artigos e depoimentos de nomes como o do sociólogo Gilberto Freyre e do professor Walter Costa Porto. Paulo fez referência também à Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados, em Brasília, onde estivera para dar uma conferência que, seguida de debate, gerou muitos elogios ao seu trabalho. Todas essas pessoas, observou, não eram comunistas nem estavam interessadas em comunizar o país — e justamente por isso apoiavam o que estava sendo feito. Escreveu que não podia deixar de rir quando o acusavam de “lavador de cérebros”, pois a essência da sua teoria pedagógica era alérgica a regimes totalitários: “Nego, pois, a vera- cidade das acusações assacadas contra o SEC, anteontem, on- tem e hoje. Nego que o SEC […] exerça atividades subversivas ou contrárias ao regime democrático. Horroriza-me o assanhamento destas acusações”.

Em suas considerações finais, Paulo faria uma defesa intransigente da alfabetização de adultos. Escreveria: "Há até quem diga que não adianta alfabetizarmos esses 36 milhões de brasileiros porque talvez 'papagaio velho não aprende a ler'. Como se estas legiões de analfabetos não constituíssem, para nós, seus irmãos letrados, uma prova de nosso desamor. De nossa incúria. De nosso fracasso. Nunca pretendemos ser os donos da alfabetização nacional. Há analfabetos demais. […] Se tudo o que dissemos em nossa defesa pessoal e na defesa do SEC a ninguém convencer, paciência. Salvem-se, porém, os analfabetos".

Entregue o documento, Paulo ficou à espera do parecer da comissão e de como o Ministério da Educação e Cultura reagiria frente ao declarado. Cerca de três semanas depois, em 16 de junho, dia do aniversário de Elza, estava em casa trabalhando na reescrita para publicação de sua tese Educação e atualidade brasileira quando dois agentes bateram à sua porta e pediram para que os acompanhasse. Sem imaginar o que viria, vestiu-se, tomou um café, despediu-se da esposa e seguiu com os policiais. No trajeto, passaram pela Secretaria de Segurança Pública, pela polícia e de lá seguiram para o quartel do 4º Exército. Apresentado ao capitão de plantão, foi fichado e detido — sem nenhuma peça de roupa ou objeto de higiene pessoal, nenhum livro para acompanhá-lo. Paulo não tinha imaginado que de fato pudesse ser preso.

Duas semanas depois, em 1º de julho, prestou novo depoimento sobre suas “atividades subversivas antes e durante o movimento de 1º de abril, assim como suas ligações com pessoas e grupos de agitadores nacionais e internacionais”, agora em inquérito policial militar chefiado pelo tenente-coronel Hélio Ibiapina Lima. Duro nos interrogatórios, em 2014 Ibiapina Lima foi apontado no relatório final da Comissão Nacional da Verdade, junto a outros 376 agentes do Estado, por violação dos direitos humanos e crimes cometidos durante o regime militar.

O tenente-coronel iniciou o interrogatório pela formação e pelas atividades profissionais de Paulo; questionou-o em seguida sobre inúmeros autores e seus métodos pedagógicos: Dalton, Montessori, Mackinder, Decroly, Kilpatrick, Peter- sen, Cousinet, Laubach, Alfredina de Paiva e Souza, sintético, analítico-sintético… Surpreso, Paulo respondeu sobre aqueles que conhecia, afirmou que, em sua maioria, eram integrantes de uma pedagogia moderna, defensora de uma educação ativa na qual o educando pudesse superar a passividade característica da escola antiga e assumir uma posição participante em seu aprendizado.

Na sequência viriam perguntas para testar seu conhecimento específico sobre os autores e métodos apresentados, os resultados que produziram, onde foram aplicados. Depois, sobre sua avaliação dos sistemas de ensino adotados pelo Exército dos Estados Unidos e do Brasil a partir de 1941. Em seguida, Paulo foi questionado sobre a diferença entre sua visão pedagógica e a perspectiva de cada um dos outros educadores citados. E, finalmente, sobre o seu método de aprendizado — destinava-se apenas à alfabetização ou ao ensino de maneira geral?

Em relação ao último questionamento, Paulo se deteve mais pacientemente, explicando com didatismo para Ibiapina Lima que sua principal preocupação era educar, e não só alfabetizar. Esclareceu que era um método baseado no diálogo, que abordava situações da vida cotidiana e pretendia fazer com que os alunos se tornassem pessoas ativas a partir das discussões sobre o contexto em que viviam. Descreveu os procedimentos para a escolha das palavras, o modo como elas eram decompostas em sílabas que depois se juntavam em outras combinações para construir novas palavras. Para concluir, disse que todo seu trabalho educativo se fundava no absoluto respeito ao ser humano e que o importante era educar, não doutrinar.

Nesse momento do inquérito, tendo ouvido Paulo com atenção, Ibiapina Lima tornou-se mais agressivo; perguntou como ele poderia se considerar um educador se demonstrava desconhecer parte dos teóricos citados. Paulo argumentou que não lhe cabia julgar a si próprio e que não tinha nada a acrescentar sobre os demais autores.

O tenente-coronel então fez referência à duração do método de alfabetização de Paulo Freire, questionou o porquê das 40 horas — rapidez tão alardeada pelos meios de comunicação. A busca por uma solução ágil, respondeu Paulo, era necessária porque o problema era muito grave, e argumentou que a alfabetização deveria ser aprofundada em fases subsequentes. Quanto à originalidade de seu trabalho, afirmou que não tinha pretensões de ser original, mas de dar sua contribuição ao combate do analfabetismo.

Ibiapina Lima então questionou Paulo sobre seu suposto envolvimento com o comunismo ou com regimes totalitários, comparando seu método àqueles utilizados por Hitler, Mussolini, Stalin e Perón. Quis saber também sua opinião a respeito de Cuba, da União Soviética e da China. E o que pensava sobre Brizola, Miguel Arraes, Luís Carlos Prestes, Francisco Julião e Gregório Bezerra. Em uma guerra entre o Brasil e um país comunista ou socialista, de que lado Paulo estaria? Paulo se defendeu de todas as perguntas. Constrangido pelas circunstâncias, repudiou o comunismo, expressou-se como apoiador das reformas do marechal Castello Branco, mostrou-se satisfeito com sua liderança, negou vontade de deixar o país e, por fim, colocou-se na condição de cristão que valorizava o ser humano e que se orientava pela doutrina da fé. Depois de horas de tensão e afrontamento, pôde enfim voltar para a cela. Dois dias depois, em 3 de julho, foi solto.

Prisão

Por pouco tempo, entretanto. Paulo voltou a ser preso já no dia seguinte. Sem maiores explicações, foi levado para o Quartel de Obuses, no bairro de Jatobá, na vizinha Olinda. Foi encarcerado em uma das solitárias do piso inferior, onde ficava a prisão dos sargentos e tenentes. A cela era pequena, as paredes, ásperas; havia apenas uma cama e altura justa para que Paulo ficasse em pé. Poucos dias depois, foi transferido para a enfermaria dos oficiais, no andar de cima, para onde eram encaminhados os presos com curso superior.

Ali passaria a maior parte de seu segundo encarceramento, convivendo com outros detidos como Clodomir Santos de Morais, ativista político ligado ao Partido Comunista e às Ligas Camponesas, Pelópidas Silveira, o prefeito deposto de Recife, o advogado Joaquim Ferreira e Plínio Soares, ex-funcionário da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), entre outros políticos e lideranças sociais.

Para passar o tempo, além de conversar e contar casos, jogavam xadrez e faziam palavras-cruzadas. Paulo também se dedicou intensamente à leitura. Caiu-lhe nas mãos o clássico Grande sertão: veredas. Incomodado com a linguagem de Guimarães Rosa, desistiu do livro e comentou com Clodomir sua dificuldade com o estilo, o palavreado, o tom regional do romance. Surpreso, o companheiro explicou as circunstâncias que levaram aquela região entre o rio São Francisco e Goiás a manter uma espécie de dialeto próprio, o mesmo falado até então por sua mãe e alguns parentes que moravam ali. “Se você quiser, eu, com toda a satisfação, vou tratar de traduzi-lo”, propôs Clodomir, disposto a fazer anotações sobre as expressões idiomáticas no próprio livro. Paulo aceitou de imediato.

Em clima de camaradagem, o tempo se arrastava no andar de cima do Quartel de Obuses. Um dia, um jovem tenente se aproximou da cela de Paulo: “Professor, vim conversar com o senhor porque agora nós vamos receber um grupo de recrutas e, entre eles, há uma quantidade enorme de analfabetos. Por que o senhor não aproveita sua passagem por aqui e ajuda a gente a alfabetizar esses rapazes?”. Ao que Paulo respondeu, surpreso com a ingenuidade do rapaz: “Mas meu querido tenente, estou preso exatamente por causa disso! Está havendo uma irracionalidade enorme no país hoje, e se o senhor falar nessa história de que vai convidar o Paulo Freire para alfabetizar os recrutas, o senhor vai para a cadeia também. Não dá!”.

Somados os dois períodos de encarceramento, em Recife e em Olinda, Paulo ficou preso por mais de setenta dias. Fez um acordo com a mulher para que os dois filhos mais novos não o visitassem na prisão. Para eles o pai estava viajando. Durante todo esse tempo, Elza desdobrou-se como pôde para cuidar da família e atenuar o sofrimento do marido na prisão. Uma de suas estratégias era entregar regularmente uma panela da comida de casa, sempre que possível em quantidade suficiente para alimentar não só os companheiros de cela, mas também os outros presos. A justa distribuição era garantida com a colaboração dos carcereiros ainda não submetidos aos rigores do golpe.

A vontade de Paulo era permanecer no Brasil, mas as circunstâncias não ajudavam. Desde que fora solto pela última vez, estava obrigado a comparecer regularmente a instâncias do Exército para registrar suas atividades. Em um desses encontros, ele seria convocado para um novo inquérito, desta vez no Rio de Janeiro. A essa altura, Elza já alentava a possibilidade de sair do país para preservar a integridade física e mental do marido — e da família.

Exílio na Bolívia

Quando chegou no Rio, atendendo a uma nova intimação militar, Paulo se rendeu ao apelo feito por vários de seus amigos, entre eles o professor de literatura e líder católico Alceu Amoroso Lima, conhecido também como Tristão de Ataíde, e buscou exílio na embaixada da Bolívia. Antes disso, tentara sem sucesso a representação diplomática do Chile, que recusara seu pedido. Muitos colegas também tentaram encontrar formas de acolhê-lo no exterior, caso de Ivan Illich, educador austríaco radicado no México, que conhecera Paulo em uma visita ao Recife. Mas nada havia dado certo até então.

Enquanto esperava pela autorização para viajar a La Paz, Paulo foi informado de que um representante do Ministério da Educação da Bolívia, que estava no Rio para um congresso de educadores latino-americanos, gostaria de se reunir com ele na embaixada. O colega boliviano propôs que Paulo trabalhasse em seu país como assessor de educação, em particular no ensino de adultos. O convite foi aceito na hora.

Em 28 de setembro, Ibiapina Lima expediu um mandado de prisão para Paulo Freire, baseado nos seguintes argumentos: o educador estaria implicado em subversão nos meios intelectuais e de alfabetização; seu método não tinha qualquer originalidade e a velocidade era inferior a de outros modelos; a experiência de Angicos era por si só um atestado de subversão na medida em que mais politizava do que alfabetizava; seria um mistificador, suposto criador de um método e sem pejo de negar que desconhece tudo o que há a respeito; seria um aliciador sistemático do marxismo; refugiou-se em embaixada estrangeira depois de viajar para o Rio de Janeiro para atender a um inquérito, utilizando passagens compradas pelo governo.

Enquanto a viagem ao exterior não se arranjava, Elza e os filhos, por segurança, passaram a viver inicialmente na casa de Zé de Melo, seu irmão. Depois se mudaram de Recife para a casa de Stela, irmã de Paulo, em Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, para poderem visitá-lo com maior frequência. Nesse período, também esteve na embaixada o advogado Odilon Ribeiro Coutinho, seu colega e amigo dos tempos em que frequentaram juntos a Faculdade de Direito. Além de um pacote de livros, Odilon entregou a ele alguns dólares para serem usados em sua chegada à Bolívia, dada a sua dificuldade para acessar recursos financeiros. Parte do dinheiro ele daria a Elza para ajudar nas despesas da família. Sem passaporte, porque nunca havia deixado o país, Paulo embarcou para La Paz apenas com sua carteira de identidade, enfiada por Elza em seu bolso no último instante.

Em 18 de outubro, alguns dias após Paulo ter partido para o exílio, Ibiapina Lima divulgou o relatório final do inquérito sobre o educador, no qual o acusava de ser “um dos maiores responsáveis pela subversão imediata dos menos favorecidos. Sua atuação no campo da alfabetização de adultos nada mais é que uma extraordinária tarefa marxista de politização dos mesmos”. Para Ibiapina Lima, Paulo não tinha criado método algum e sua fama viria da propaganda feita por agentes do Partido Comunista da União Soviética. “É um criptocomunista encapuçado sob a forma de alfabetizador”, acusava. Para o militar,

Paulo era um fugitivo: "Recebeu um chamado para depor no Ministério da Educação e Cultura, no Rio de Janeiro, e ali chegando fugiu sem considerar que a Nação forneceu passagem de avião, confiando que um dos seus intelectuais não seria um relapso e um fujão. Após viajar, […] asilou-se na embaixada da Bolívia, negando-se a depor e caracterizando, desta forma, toda a sua culpabilidade criminosa de que era um dos chefes. Assim, confirmou as acusações que pesavam sobre ele: assumiu por conta própria toda a responsabilidade por ter fugido. Quem não teme não se esconde".

Educador Paulo Freire.ARQUIVO NACIONAL

SÉRGIO HADDAD

22 OUT 2019 - 19:36 BRT

MAIS INFORMAÇÕES


quarta-feira, 9 de junho de 2021

As 40 Horas de Angicos - Paulo Freire no RN

 

O filme As Quarenta Horas de Angicos trata da prática educativa sistematizada por Paulo Freire em 1963, na cidade de Angicos, Rio Grande do Norte. O sucesso dessa experiência, alfabetizando 300 pessoas em 40 horas, e a vitalidade dos movimentos sociais no período, especialmente estudantil, provocou a escalada do sistema em todo o país. As quarenta horas de Angicos* José Willington Germano** Angicos tornou-se uma palavra emblemática para todos aqueles que se interessam pela educação popular. A cidadezinha localizada no sertão do Rio Grande do Norte foi o palco em que, pela primeira vez, Paulo Freire, em princípios de 1963, pôs em prática o seu famoso método de alfabetização de adultos. Dessa maneira, o trabalho, que até então era desenvolvido de forma incipiente no Recife, ganhou grande visibilidade em níveis nacional e internacional. Em dezembro de 1962, um grupo de estudantes, em sua maioria universitários, realizou o levantamento do universo vocabular da população de Angicos preparando o terreno para a experiência que viria a seguir. Nos primeiros meses de 1963, esses estudantes, "católicos radicais", criaram vários Círculos de Cultura e, sob o patrocínio do Governo do Rio Grande do Norte e da "Aliança para o Progresso" (programa de origem norte-americana), tornaram possível o emprego do referido método.  

Fazer com que os participantes aprendessem a ler e a escrever e, ainda por cima, viessem a se politizar em 40 horas constituíam os objetivos fundamentais da experiência. Isso despertou enorme curiosidade, motivo pelo qual o trabalho de Freire e dos estudantes do Rio Grande do Norte correu o mundo. Em Angicos estiveram presentes observadores, especialistas em educação e jornalistas não somente dos principais meios de comunicação do Brasil, como do exterior. Para lá se deslocaram, por exemplo, representantes do New York Times, do Time Magazine, do Herald Tribune, do Sunday Times, do United e da Associated Press, do Le Monde. Finalmente, o próprio presidente João Goulart, junto com Aluizio Alves, governador do Rio Grande do Norte, compareceu ao encerramento das atividades dos Círculos de Cultura, na distante data de 2 de abril de 1963.

https://www.youtube.com/watch?v=64qUSQbc1fk


A Invenção da Infância

O debate sobre o filme A Invenção da Infância  de Liliana Sulzbach

“A Invenção da Infância” propõe ao espectador uma reflexão sobre o que significa ser criança no mundo contemporâneo. Partindo do princípio de que nem toda criança tem infância, o filme mostra como o conceito de infância, enquanto sinônimo de inocência e fragilidade, começou a ser construído entre os séculos XVI e XVII, a partir das conquistas do pensamento humanista.

http://sbpdepa.org.br/site/wp-content/uploads/2017/03/Debate-sobre-o-Filme-%E2%80%9CA-Inven%C3%A7%C3%A3o-da-Inf%C3%A2ncia%E2%80%9D-de-Liliana-Sulzbach.pdf

Gênero: Documentário

Diretor: Liliana Sulzbach

Duração: 26 min     Ano: 2000     UF: RS

Sinopse: Ser criança não significa ter infância. Uma reflexão sobre o que é ser criança no mundo contemporâneo.

Gênero: Documentário
Diretor: Liliana Sulzbach
Duração: 26 min     Ano: 2000     UF: RS

Sinopse: Ser criança não significa ter infância. Uma reflexão sobre o que é ser criança no mundo contemporâneo.

Livro - Caminhada no não da noite

Caminhada no Chão da Noite: emancipação política e libertação nos movimentos sociais do Campo 

José de Souza Martins


A crise ideológica e política dos grupos de mediação, que se interpõem entre as lutas das classes subalternas e o processo político, é o núcleo problemático dos quatro ensaios que compõem este livro. A razão e o iluminismo persistem fortemente no pensamento da esquerda no Brasil, bloqueando a possibilidade de uma intervenção eficaz do subalterno no processo histórico. A imensa fratura que separa os movimentos sociais e as organizações políticas sindicais debilita o processo democrático, inibe a criatividade política dos grupos populares e reforça as possibilidades de um modelo político autoritário. Porém a derrota recente de papel mediador da intelectualidade de classe média, que fala a linguagem das organizações, contrasta com a nova cultura que está surgindo no campo, impregnada de concepções sobre libertação e participação, produto denso da luta e das rupturas de cada jornada, ainda que na escuridão da noite.

https://pt.scribd.com/document/340756023/Caminhada-No-Chao-Da-Noite-Jose-de-Souza-Martins

quarta-feira, 2 de junho de 2021

Ano 100 com Paulo Freire - Paulo Freire um Educador Brasileiro e do Mundo

Ano 100 com Paulo Freire

Curso  - Paulo Freire um Educador Brasileiro e do Mundo 

Profa. Dra. Maurilane de Souza Biccas

Adotando uma perspectiva sócio-histórica, o curso tem por objetivo apresentar e discutir quem foi Paulo Freire, dando ênfase ao seu pensamento, as suas práticas como pedagogo da educação popular, acadêmico e dos movimentos populares. As temáticas abordadas serão: Paulo Freire quem foi este educador?; Movimentos Populares e a Educação de Jovens e Adultos; Ditadura, exílio e a circulação no mundo; e, Paulo Freire e a Escola Sem Partido

Bibliografia Geral do Curso

1) As obras do Paulo Freire  estão online e disponiveis nos seguintes sites:

** Centro dos Professores Primários do Estado do Rio Grande do Sul (CPPERS), filiado ao CNTE (Confederação Nacional dos trabalhadores do Ensino). Além de poder fazer download das obras do Paulo Freire é possível conhecer a luta dos professores. 

 https://cpers.com.br/paulo-freire-17-livros-para-baixar-em-pdf/

***  Centro de Referencia em Educação Integral, conferir  um guia da Bibliografia de Paulo Freire.

https://educacaointegral.org.br/reportagens/guia-definitivo-da-bibliografia-de-paulo-freire/?gclid=CjwKCAjwy42FBhB2EiwAJY0yQuyRVA4HX-hIQAKbxHV6qnCDDi78gEPk-dV6RY4MBbQh8OSET1D3eBoCYCkQAvD_BwE

2) A. J KIRKENDALL, Andrew J. Paulo Freire and the Cold War Politics of Literacy [Paulo Freire e as políticas de alfabetização da Guerra Fria], Editora da Universidade da Carolina do Norte, 2010. 

Junho 

Dia 02  - 14h as 17h

Tema - Paulo Freire quem foi este educador?

Bibliografia obrigatória:

a) FREITAS, Marcos Cézar de; BICCAS, Maurilane de S. História Social da Educação Brasileira (1926-1996). São Paulo: Cortez, 2009. P-211-247. (Biblioteca Básica da História da Educação Brasileira) 

b) FREIRE, Paulo. Educação o sonho possível. In.: BRANDÃO, Carlos R. Educador Vida e Morte: escritos sobre uma espécie em perigo. P.4-10. http://www.acervo.paulofreire.org/handle/7891/1460

c) Vídeo - Paulo Freire: série Maestros da América Latina. Educacion CTERA  https://educacion.ctera.org.ar/serie-maestros/

Bibliografia complementar

1) KOHAN, Walter. Paulo Freire mais do que nunca: Uma biografia filosófica. Editora Vestigio, 2019.

2) HADDAD, Sérgio. O Educador: um perfil de Paulo Freire. São Paulo, Todavia, 2019.

3) SOUZA, Ana Inês (Org). Paulo Freire: vida e obra. 2a. Edição. Expressão Popular, 2015.

4) Documentário: Biografia do Paulo Freire .

https://www.youtube.com/watch?v=jzUgb75GgpE&t=998s

Dia 09

Tema - Movimentos Populares e a Educação de Jovens e Adultos

Bibliografia obrigatória

1)BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação Popular? http://ifibe.edu.br/arq/201509112220031556922168.pdf

2)ARROYO, Miguel G. Paulo Freire: outro paradigma? Paulo Freire: outro paradigma pedagógico? Educação em Revista. Belo Horizonte. Dossiê - Paulo Freire: O Legado Global. v.35. 2019 https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-46982019000100202&script=sci_abstract&tlng=fr

Bibliografia complementar

1)SOARES, Leôncio José Gomes; PEDROSO, Ana Paula Ferreira. Dialogicidade e a formação de educadores na eja: as contribuições de Paulo Freire. Educação Temática Digital.  Campinas, SP. v.15. n. 2. p.250-263. maio/ago. 2013. https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/1281

2) VASCONCELOS, Joana Salém Vasconcelos. O lápis é mais pesado que a enxada: reforma agrária no Chile e pedagogias camponesas para transformação econômica (1955-1973). Tese de Doutorado FFLCH, 2020, pgs175-245. https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8137/tde-13042021-193600/pt-br.php

3) SALVADORI, Maria Angela Borges; BICCAS, Maurilane de Souza. Narradores de Javé: perspectivas históricas para a abordagem da educação de jovens e adultos. IN.: RIBEIRO, Betânia de Oliveira Laterza; CARVALHO, Carlos Henrique de; SOUZA, Sauloéber Társio de. Cinema e Ensino de História da Educação. Campinas, Alínea, 2013.

4) Filme Narradores de Javé. É um filme brasileiro em coprodução com a França de 2003, do gênero drama, dirigido por Eliane Caffé

5) Albuns sobre as experiências de alfabetização em Angicos, Brasília, Rio de Janeiro. Neste site existem outros documentos e materiais de alfabetização.

http://forumeja.org.br/fichasdecultura.paulofreire

6) Juventude e Mobilização nos anos de 1960 e 1970

https://www.youtube.com/watch?v=DCGPughs0-s

7) Veja panorama da educação da década de 1960 até os dias de hoje

https://www.youtube.com/watch?v=2hfUTDz2f3E

Dia 16 

Paulo Freire: Ditadura, exílio e a circulação no mundo

Bibliografia obrigatória

1) FREIRE, Paulo. Pedagogia da Esperança. Um reencontro com a Pedagogia do Oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992, p. 15-82; p. 105-181.

https://cpers.com.br/wp-content/uploads/2019/09/10.-Pedagogia-da-Esperan%C3%A7a.pdf

2) FREITAS, Marcos Cézar de; BICCAS, Maurilane de S. História Social da Educação Brasileira (1926-1996). São Paulo: Cortez, 2009. P-247-263. (Biblioteca Básica da História da Educação Brasileira)

3) VASCONCELOS, Joana Salém. Paulo Freire e a Guerra Fria. Mouro: Revista Marxista. V. 14, p. 1-10, 2020. 

http://mouro.com.br/Mouro%2014/015%20-%20NOTAS%20DE%20LEITURA%20-%20PauloFreire%20e%20a%20GuerraFria_JoanaSalem.pdf

4) Brasil e a década de 1960

https://www.youtube.com/watch?v=9ZUt-aNeDW4

Bibliografia complementar

1) BOUTIN, Aldamira Catarina Brito Delabona; CAMARGO, Carla Roseane Sales. A Educação na ditadura militar e as estratégias reformistas em favor do capital. EDUCERE, outubro de 2015. 

https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/18721_8156.pdf

2)CUNHA, Luiz Antonio. O legado da ditadura para a educação brasileira. Educação e Sociedade.  Campinas, v. 35, n. 127, p. 357-377, abr.-jun. 2014.

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010173302014000200002&script=sci_arttext&tlng=pt 

3) Documentário: 1964 - O Golpe . https://www.youtube.com/watch?v=EVwlepPYp_o

Dia 23 

Tema - Paulo Freire e a Escola Sem Partido

Bibliografia obrigatória

1) FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996 (Coleção Leitura).

2) RAMOS, Moacyr Salles; SANTORO, Ana Cecília dos Santos. Pensamento Freireano em Tempos de Escola Sem Partido. Interação. V. 42, n.1, 2017 (Dossiê). https://www.revistas.ufg.br/interacao/article/view/44076

3) OLIVEIRA, Heli Sabino de; MARIZ, Débora. Movimento Escola Sem Partido: uma leitura à luz de Paulo Freire. Educação. Santa Maria. v. 44. 2019. https://periodicos.ufsm.br/reveducacao/article/view/32996/pdf

4) Vídeo FEUSP - Escola sem Partido. http://www4.fe.usp.br/escola-sem-partido

Bibliografia complementar

1)Ação Educativa Assessoria, Pesquisa e Informação (Org.). A ideologia do movimento Escola Sem Partido: 20 autores desmontam o discurso. São Paulo : Ação Educativa, 2016. 

2) KATZ, Elvis Patrik; MUTZ, Andresa Silva da Costa. Escola sem partido: produção de sentidos e disputas em torno do papel da escola pública no Brasil. ETD-Educação Tematica. 2017.

3)FRIGOTTO, Gaudêncio (Org.). Escola “Sem” Partido: Esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira. Rio de Janeiro : UERJ, LPP, 2017.

http://ifg.edu.br/attachments/article/7536/A%20g%C3%AAnese%20das%20teses%20do%20Escola%20sem%20Partido%20esfinge%20e%20ovo%20da%20serpente%20que%20amea%C3%A7am%20a%20sociedade%20e%20a%20educa%C3%A7%C3%A3o%20%E2%80%93%20Gaud%C3%AAncio%20Frigotto.pdf

4)Projeto de lei – Escola sem partido

https://legis.senado.leg.br/sdleggetter/documento?dm=3410752&ts=1545350833160&disposition=inline


quarta-feira, 12 de maio de 2021

Programa do Curso

Abril

Dia 14 (Aula - 1) – Apresentação e construção coletiva do curso

a) Apresentação da professora;

b) Apresentação dos alunos e das alunas;

c) Solicitar aos alunos e as alunas que levantem temas e questões que gostariam de estudar no curso. Este levantamento foi realizado individualmente, socializado para a toda a sala e sistematizado pela professora.

Dia 21 – Feriado (Tiradentes) Não haverá aula 

Dia 28 (Aula - 2) – Quem somos nós? O que queremos estudar?

a) Apresentação e discussão da sistematização de quem são os estudantes da turma 

do curso ( idade, gênero, étnico-racial e políticas educacionais que vivenciaram).

b) Solicitar aos alunos e as alunas que levantem temas e questões que gostariam de estudar no curso. Este levantamento foi realizado individualmente, socializado para toda a turma e sistematizado pela professora;

c) Selecionar com a turma um filme para ser assistido na próxima aula: Nenhum a Menos

Maio

Dia 05 (Aula - 3) - Apresentação e debate de um filme:“Nenhum a Menos”

Sinopse. Filme singelo, dirigido por Zhang Yimou com uma câmera sutil, em estilo apenas parcialmente ficcional, “Nenhum a Menos” revela as condições da educação na zona rural chinesa. O diretor flagra uma escola primária em estado precário, na remota aldeia de Shuiquan, na qual os recursos são tão reduzidos que seu titular, Gao, é obrigado a reservar um giz para cada dia letivo.


Quando sua mãe adoece, o professor é obrigado a se retirar por algum tempo, com o objetivo de visitá-la, pois está à beira da morte. O prefeito da pequena localidade, porém, não consegue encontrar um substituto que aceite trabalhar nestas condições. Só lhe resta contratar a única voluntária, Wei Minzhi, de apenas 13 anos, que mal tem recursos intelectuais para transmitir aos alunos. Na verdade, ela mesma só cursou o primário. A garota deverá permanecer por um mês na escola, a qual será também sua morada temporária, compartilhada com mais alguns estudantes.

Embora desprovida de qualquer experiência, ela revela ter, apesar de sua aparente timidez crônica, uma persistência e uma fibra surpreendentes. Mais que lhe orientar quanto ao que deve passar de conteúdo para seus alunos, o Professor Gao lhe reserva uma árdua missão. Preocupado com a constante evasão escolar, ele lhe recomenda que mantenha todos os estudantes na escola, e não deixe nenhum partir.

Obcecada com esta ideia, ela faz tudo para impedir que uma de suas alunas, talentosa atleta, seja levada para a cidade, onde treinará para aperfeiçoar seu dom. Impotente diante desta realidade, ela não permitirá que nenhum outro estudante parta da pequena escola. A realidade, porém, transcende seus modestos planos, e ameaça retirar de sua pequena comunidade mais um aluno.

Órfão de pai, integrante de uma família muito pobre, repleta de dívidas, o pequeno Zhang Huike é obrigado a deixar a escola e ir para a cidade trabalhar. Inconformada, a professora parte em busca de seu aluno; impedida de embarcar como clandestina em um ônibus, ela segue a pé sua jornada repleta de emoções e desafios.

À vida na escola rural, em que os alunos são obrigados a copiar o que a garota escreve na lousa, inconsciente de seu significado, sem condições de explicar seu conteúdo, é contraposta a vida urbana, a qual se revela cruel aos marginalizados, aos desprovidos de recursos financeiros.

Este filme, protagonizado por atores amadores, com as falas, principalmente as infantis, improvisadas, realça o realismo do enredo, que muitas vezes é a perfeita tradução da própria existência dos intérpretes. O resultado é tão criativo, rico e transbordante de emoção, que a obra conquistou o prêmio de melhor filme do Festival de Veneza de 1999. Aliás, o segundo do diretor, que já havia conquistado o Leão de Ouro por sua criação anterior, A História de Qiu Ju.

Nenhum a Menos. Direção: Zhang Yimou. China, 1999, 106 minutos. Elenco: Wei Minzhi, Zhang Huike, Tian Zhenda, Gao Enman, Sun Zhimei.

Bibliografia

BAUER, Carlos. Nenhum a menos: princípios educativos na filmografia chiensa! Revista Espaço Acadêmico. No. 101, outubro 2009, Dossiê 60 Anos da Revolução Chinesa.

(http://www.periodicos.uem.br/ojs/index.php/EspacoAcademico/index)

KRACKE, Lucia Villela. Perspectivas ocidentais sobre um filme do Oriente: Nenhum a menos.Comunicação & educação• Ano XI • Número 1 • jan/abr 2006

(http://revistas.univerciencia.org/index.php/comeduc/article/viewFile/6943/6258)

Atividade: Elaborar 3 ideias interessantes a partir do filme ou do texto. (Atividade individual 1); 

Dia 12 (Aula - 4) – Apresentação do Programa do Curso

HILSDORF, M.L. História da Educação Brasileira: leituras. São Paulo: Thomson, 2003. 

FREITAS, Marcos Cézar de; BICCAS, Maurilane de S. História Social da Educação Brasileira (1926-1996). São Paulo: Cortez, 2009. (Biblioteca Básica da História da Educação Brasileira)

b) Estrutura de cada unidade: aula histórica, temas atuais, filmes, documentários, 

    ideias interessantes.

c) Avaliação do curso: entregar (3) ideias interessantes de cinco textos que compõem as duas unidades do curso. 

Unidade I - O lugar da escola na sociedade brasileira.

Temáticas: história da escola pública brasileira (escola nova; reformas educacionais dos anos de 1920 e 1930; educação no Estado Novo – reforma Capanema; ensino religioso; educação pública e privada; LDB 1961 e o vestibular; movimento de educação popular, alfabetização de jovens e adultos e Paulo Freire; educação na ditadura militar Lei 5692/71; reformas do governo lula ensino; escola sem partido; BNCC, inclusão, educação infantil;  educação étnico racial e ações afirmativas Lei 10.639).

Tema 1 – Educação da Colônia e no Império

Bibliografia:

a) FARIA FILHO, Luciano Mendes de; VIDAL, Gonçalves Diana. Os tempos e os espaços escolares no processo de institucionalização da escola primária no Brasil. Revista Brasileira de Educação, Mai/Jun/Jul/Ago 2000 Nº 14. http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n14/n14a03

b) Vídeo: Os Primeiros Tempos: A Educação pelos Jesuítas

A Univesp TV foi a Portugal investigar o caminho feito pelos jesuítas que vieram para as novas terras da coroa portuguesa logo no início da colonização. Com eles começou a educação no Brasil. Mas foi mesmo isso que eles vieram fazer aqui? Como eram os famosos colégios que os jesuítas fundaram por toda colônia? Os índios frequentavam esses colégios?

https://www.youtube.com/watch?v=ic28PaXiM14

c) Filme: Desmundo

É um filme brasileiro de 2003, dirigido por Alain Fresnot. O roteiro, adaptação do livro Desmundo, de Ana Miranda, é de Sabina Anzuategui, Anna Muylaert e do próprio diretor. A direção de fotografia é de Pedro Farkas, a trilha sonora, de John Neschling, a edição e distribuição é da Columbia Pictures do Brasil. Todo o elenco teve que aprender o português arcaico, tanto que o filme é apresentado com legendas para ajudar na compreensão.


É um filme brasileiro de 2003, dirigido por Alain Fresnot. O roteiro, adaptação do livro Desmundo, de Ana Miranda, é de Sabina Anzuategui, Anna Muylaert e do próprio diretor.

A direção de fotografia é de Pedro Farkas, a trilha sonora, de John Neschling, e a edição e distribuição é da Columbia Pictures do Brasil. Todo o elenco teve que aprender o português arcaico, tanto que o filme é apresentado com legendas para ajudar na

É uma viagem no tempo, voltamos ao Brasil do Século XVI. Portanto, tudo acontece nas primeiras décadas da colonização brasileira, momento em que a Igreija solicita a Portugal que envie a colônia lotes de órfãs brancas dispostas a se casar com os colonos. A intenção é aplcar os hormônios dos portugueses, impedindo assim que eles se miscigenem com as índias do lugar. É neste contexto que o roteiro, baseado no livro de Ana Miranda, centraliza sua força narrativa da personagem de Orisbela (Simone Spoladore), uma jovem órfã portuguesa que se rebela contra o casamento que lhe foi arranjado. Passado o primeiro momento de rebeldia - uma cusparada no rosto do pretendente - resta a Orisbela apenas duas tristes opções: morrer sozinha numa terra selvagem, ou casar-se com qualquer um. Ela opta pelo segundo caminho. E cabe a Francisco (Osmar Parado) vivenciar este "qualquer um". De poucas palavras, poucos amigos e longe de qualquer tipo de refinamento, Francisco vive como um animal. Sua relação com Orisbela será de posse e a dela com ele será de eterna luta pela liberdade. Desse casal tão improvável nascerá um país mais improvável ainda. Um Brasil bruto, literalmente mal educado. Bastardo. E toda esta saga sobre o nascimento de uma nação ao sul do Equador é contada com maestria pelo diretor Alain Fresnot.

  •  Ensino Lancasteriano https://historiadaeducacaobrasileira.wordpress.com/ensino-mutuo-ou-metodo-lancasteriano/
  • Modelos de Organização escolar https://historiadaeducacaobrasileira.wordpress.com/modelos-de-organizacao-escolar/

Atividade: Elaborar 3 ideias interessantes a partir do filme, do vídeo ou do texto. (Atividade individual 2); 

Dia 19 (Aula – 5) – Tema 2 – Educação na República: A escola Nova e as reformas educacionais dos anos de 1920-1930

Bibliografia 

a)CARVALHO, Marta Maria Chagas. Notas para reavaliação do movimento educacional brasileiro (1920-1930). Cadernos de Pesquisa Fundação Carlos Chagas, n. 66, 1988. http://publicacoes.fcc.org.br/ojs/index.php/cp/article/view/1201/1207

b)RIBEIRO,  Paulo Rennes Marçal. História da educação escolar no Brasil: notas para uma reflexão. Paidéia (Ribeirão Preto)  no.4 Ribeirão Preto Feb./July 1993

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-863X1993000100003&script=sci_arttext

c) Vídeo:  Lourenço Filho, Anísio Teixeira e Fernando de Azevedo Por Diana Vidal. https://www.youtube.com/watch?time_continue=1578&v=Up6x4qO0qdI&feature=emb_title

Atividade: Elaborar 3 ideias interessantes retiradas do texto ou do vídeo. (Atividade individual 3);

Dia 26 (Aula 6) – Tema 3 -Educação no Estado Novo e a Reforma Capanema

Bibliografia:

a) FILHO, João Cardoso Palma. A Educação Brasileira no Período de 1930 a 1960: a Era Vargas. UNIVESP-SP

https://acervodigital.unesp.br/bitstream/123456789/107/3/01d06t05.pdf

b) BOMENY, Helena  M. B.  Três decretos e um ministério: a propósito da educação no Estado Novo . In.: PANDOLFI, Dulce (Org.) Repensando o Estado Novo. Rio de Janeiro: Ed. Fundação Getúlio Vargas, 1999. P-137-166. 

http://cpdoc.fgv.br/producao_intelectual/arq/142.pdf#page=129

c) HORTA, José Silvério Baia. Gustavo Capanema. Recife: Fundação Joaquim Nabuco, Editora Massangana, 2010. http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/me4702.pdf

d) Vídeo: A Educação na Era Vargas: rupturas e continuidades

https://www.youtube.com/watch?v=x-_cF6IHvAA

Atividade: Elaborar 3 ideias interessantes retiradas do texto. (Atividade individual 4); 

Junho

Dia 02 (Aula 7) – Tema 4 – Paulo Freire um educador Brasileiro 

Bibliografia:

a) FREITAS, Marcos Cézar de; BICCAS, Maurilane de S. História Social da Educação Brasileira (1926-1996). São Paulo: Cortez, 2009. P-211-247. (Biblioteca Básica da História da Educação Brasileira) Este texto será enviado por email.

b) FREIRE, Paulo. Educação o sonho possível. In.: BRANDÃO, Carlos R. Educador Vida e Morte: escritos sobre uma espécie em perigo. P.4-10. http://www.acervo.paulofreire.org/handle/7891/1460

c) Documentário: Biografia do Paulo

 Freire. https://www.youtube.com/watch?v=jzUgb75GgpE&t=998s

d) No site https://cpers.com.br/paulo-freire-17-livros-para-baixar-em-pdf/ é possível baixar 17 obras de Paulo Freire.

Atividade: Realizar as atividades do texto ou elaborar 3 aspectos importantes da biografia do Paulo Freire ou do documentário

(Atividade individual 5)

Dia 09 (Aula 8) – Tema 5 – Paulo Freire e a Educação de Jovens e Adultos

1) ARROYO, Miguel G. Paulo Freire: outro paradigma? Paulo Freire: outro paradigma pedagógico? Educação em Revista. Belo Horizonte. Dossiê - Paulo Freire: O Legado Global. v.35. 2019 https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0102-46982019000100202&script=sci_abstract&tlng=fr

2) SOARES, Leôncio José Gomes; PEDROSO, Ana Paula Ferreira. Dialogicidade e a formação de educadores na eja: as contribuições de Paulo Freire. Educação Temática Digital.  Campinas, SP. v.15. n. 2. p.250-263. maio/ago. 2013. https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/etd/article/view/1281

3) Filme Narradores de Javé. É um filme brasileiro em coprodução com a França de 2003, do gênero drama, dirigido por Eliane Caffé

 


Sinopse

A pequena cidade Javé será submersa pelas águas de uma represa. Seus moradores não serão indenizados e não foram sequer notificados porque não possuem registros nem documentos das terras. Inconformados, descobrem que o local poderia ser preservado se tivesse um patrimônio histórico de valor comprovado em "documento científico". Decidem então escrever a história da cidade, mas poucos sabem ler e só um morador, o carteiro, sabe escrever. Depois disso, o que se vê é uma tremenda confusão, pois todos procuram Antônio Biá, o escrivão da obra de cunho histórico, para acrescentar algumas linhas e ter o seu nome citado.

Atividade: Realizar as atividades do texto ou elaborar 3 aspectos importantes da biografia do Paulo Freire ou do documentário. (Atividade individual 6)

Dia 16 - (Aula 9) –  Tema 6 – Paulo Freire e a educação na ditadura militar 

a)BOUTIN, Aldamira Catarina Brito Delabona; CAMARGO, Carla Roseane Sales. A Educação na ditadura militar e as estratégias reformistas em favor do capital. EDUCERE, outubro de 2015. https://educere.bruc.com.br/arquivo/pdf2015/18721_8156.pdf

b)CUNHA, Luiz Antonio. O legado da ditadura para a educação brasileira. Educação e Sociedade.  Campinas, v. 35, n. 127, p. 357-377, abr.-jun. 2014.

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010173302014000200002&script=sci_arttext&tlng=pt

c) FREITAS, Marcos Cézar de; BICCAS, Maurilane de S. História Social da Educação Brasileira (1926-1996). São Paulo: Cortez, 2009. P-247-263. (Biblioteca Básica da História da Educação Brasileira)

d) Documentário: 1964 - O Golpe – é a primeira reportagem da série 1964 e trata do golpe civil militar propriamente dito com a ajuda de pesquisadores Jorge Ferreira (UFF), Carlos Fico (UFRJ), Luiz Moniz Bandeira (Universidade de Heidelberg) e João Roberto Martins Filho (UFSCAR), a UNIVESP TV conta como foram os meses finais do governo João Goulart (1961-1964), culminando na deposição que levou o país a uma ditadura de 21 anos. Qual Brasil coube Goulart governar? Quais foram os fatos que levaram ao golpe? Por que o presidente não resistiu? Essas são as perguntas que a reportagem tenta responder. https://www.youtube.com/watch?v=EVwlepPYp_o

e) Vídeo do Canal da Resistência – Bate papo de Paulo Freire com Lula

Uma das principais referências da educação brasileira, amplamente discutido e estudado na área acadêmica, é o educador, pedagogo e filósofo Paulo Reglus Neves Freire. Paulo Freire nasceu em Recife, no ano de 1921, e faleceu na cidade de São Paulo, em 1997. Seu nome tornou-se notório tanto no âmbito nacional quanto internacional por suas pesquisas no campo da alfabetização. Acompanhe este artigo e confira algumas das contribuições de Paulo Freire para a educação. Método Paulo Freire Método aplicado pela primeira vez na região de Angicos (RN) em 1963, Paulo Freire buscou, através do seu conhecimento e sensibilidade, alfabetizar e politizar os povos daquele lugar. O contexto histórico daquela região era marcado por trabalhadores rurais, domésticas, pedreiros, entre outros trabalhadores que acreditavam na importância de aprender a ler para “mudar de vida”, como foi documentado no livro de Carlos Lyra “As quarentas horas de Angico. Segundo registros, cerca de 300 pessoas foram alfabetizadas em 40 horas. Tal façanha é o feito mais marcante de Paulo Freire no campo da pedagogia, tendo por metodologia a escolha de “palavras geradoras”, comuns no vocabulário local como, por exemplo, cimento, tijolo, vassoura, enxada, terra, colheita, entre outras. O método usava essas palavras e, a partir da decodificação fonética dessas palavras, iam se construindo e associando novas palavras, aumentando assim o repertório dos alunos. Pensamento pedagógico político Paulo Freire defendia que a desigualdade entres as classes sociais acarretava na opressão das classes mais abastadas sobre as classes populares. Nascido em uma das regiões mais pobres do país, ele experimentara essa realidade. Em sua trajetória, defendeu o ensino como forma de despertar a criticidade do aluno, fazendo com que o mesmo buscasse a ampliação de sua consciência social e conseguisse atingir à autonomia Seus pensamentos fizeram com que Paulo Freire fosse visto como subversivo durante a Ditadura Militar e, como consequência, foi exilado e só pode voltar ao país após 16 anos. Esse teórico era assumidamente defensor de que a educação deveria ser prática de liberdade, sendo inclusive esse o título um de seus livros mais importantes, “Educação como prática da liberdade” que foi escrito enquanto ele estava exilado.

https://www.youtube.com/watch?v=1cKOJfQnl_Y

Atividade: Elaborar 3 ideias interessantes retiradas do texto ou do documentário. (Atividade individual 7)

Dia 23 (Aula 10)   - Tema 7 – Paulo Freire e a Escola Sem Partido

a)RAMOS, Moacyr Salles; SANTORO, Ana Cecília dos Santos. Pensamento Freireano em Tempos de Escola Sem Partido. Interação. V. 42, n.1, 2017 (Dossiê). https://www.revistas.ufg.br/interacao/article/view/44076

b) OLIVEIRA, Heli Sabino de; MARIZ, Débora. Movimento Escola Sem Partido: uma leitura à luz de Paulo Freire. Educação. Santa Maria. v. 44. 2019. https://periodicos.ufsm.br/reveducacao/article/view/32996/pdf

c)http://www4.fe.usp.br/escola-sem-partido - Vídeo FEUSP - Escola sem Partido

d) KATZ,Elvis Patrik; MUTZ, Andresa Silva da Costa. Escola sem partido: produção de sentidos e disputas em torno do papel da escola pública no Brasil. ETD-Educação Tematica. 2017.

e) FRIGOTTO, Gaudêncio (Org.) Escola “Sem” Partido: Esfinge que ameaça a educação e a sociedade brasileira. Rio de Janeiro : UERJ, LPP, 2017.

http://ifg.edu.br/attachments/article/7536/A%20g%C3%AAnese%20das%20teses%20do%20Escola%20sem%20Partido%20esfinge%20e%20ovo%20da%20serpente%20que%20amea%C3%A7am%20a%20sociedade%20e%20a%20educa%C3%A7%C3%A3o%20%E2%80%93%20Gaud%C3%AAncio%20Frigotto.pdf

f)Projeto de lei – Escola sem partido

https://legis.senado.leg.br/sdleg-getter/documento?dm=3410752&ts=1545350833160&disposition=inline

Atividade: Elaborar 3 ideias interessantes retiradas do texto ou do documentário. (Atividade individual 8)

Dia 30 (Aula 11) – Tema 8 - Reformas Educacionais no Governo Lula: movimentos sociais e os novos sujeitos da educação

Bibliografia:

a) OLIVEIRA, Dalila Andrade. As políticas educacionais no governo Lula: rupturas e permanências. RBPAE – v.25, n.2, p. 197-209, mai./ago. 2009.

b) MOTTA, Thalita Cunha; AZEVEDO, Janete Maria Lins. Uma análise de conjuntura dos governos FHC e Lula e suas políticas Educacionais. https://www.fundaj.gov.br/images/stories/epepe/IV_EPEPE/t5/C5-20.pdf

c) FRIGOTTO, Gaudêncio; Ciavatta, MARIA; RAMOS,  Marise. A Politica de Educação Profissional no Governo Lula: um percurso histórico convertido. Educação  Sociedade, Campinas, vol. 26, n. 92, p. 1087-1113, Especial - Out. 2005

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=s0101-73302005000300017&script=sci_arttext

d) Documentário: Os 13 anos do Governo do PT, produzido pela TV Folha em 13 de dez. 2015.

Em 13 anos no poder, Partido dos Trabalhadores patrocinou distribuição de renda histórica e desajuste recorde nas contas do país; renda dos mais pobres aumentou 129% e dos mais ricos, 32%. Só 24% aprovam a gestão petista.

https://www.youtube.com/watch?v=l53vEk0Qt6U

Atividade: Elaborar 3 ideias interessantes retiradas do texto ou do documentário. (Atividade individual 9)

Julho

Dia 07 (Aula 12) –  Tema 9 – Reforma do Ensino Médio

Bibliografia

1)Entenda o que diz a proposta de Reforma do Ensino Médio. http://www.ebc.com.br/educacao/2016/10/entenda-reforma-do-ensino-medio

2)DOMINGUES, José Juiz; TOSCHI, Nirza Seabra; OLIVEIRA, João Ferreira. A reforma do Ensino Médio: A nova formulação curricular e a realidade da escola pública

Educação & Sociedade, ano XXI, nº 70, Abril/00. http://www.scielo.br/pdf/es/v21n70/a05v2170

3) Base Nacional Curricular Comum do Ensino Médio. Documento do Ministério da Educação. 

http://basenacionalcomum.mec.gov.br/wpcontent/uploads/2018/04/BNCC_EnsinoMedio_embaixa_site.pdf

4) FERRETI, Celso João. A reforma do Ensino Médio e sua questionável concepção de qualidade da educação. Estudos Avançados. vol.32 no.93 São Paulo May/Aug. 2018

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-40142018000200025&script=sci_arttext

5) DANTAS, Jéferson Silveira. O Ensino Médio em disputa e as implicações da BNCC para a área das Ciências Humanas. Universidade e Sociedade #61. ANDES-SN n janeiro de 2018

http://portal.andes.org.br/imprensa/publicacoes/imp-pub-1969232834.pdf

Atividade: Elaborar 3 ideias interessantes retiradas do texto ou do filme. (Atividade individual 10)

Dia 14 (Aula 13) – Unidade II - Sujeitos da Educação: professores, alunos e família

Temática: História da formação docente; valorização do magistério; papel do professor (relação entre professor e aluno); indígenas, negros; mulheres e pessoas deficientes.

Tema 1 –  História da formação do professor e a valorização do magistério.

Atividade - Apresentar e debater o Filme “Entre os Muros da Escola"

O filme “Entre os muros da escola” retrata o ambiente escolar na sua totalidade, uma escola francesa, onde em uma sala de aula com alunos entre 13 e 15 anos, adolescentes com suas questões, esse grupo é composto por negros africanos, latino-americanos, asiáticos e franceses.

  



O professor François Marin, interpretado por François Bégauden, que é também autor do livro de mesmo nome do filme, tem como meta fazer com que os alunos, além de aprenderem o idioma pátrio francês, assumam uma postura de turma homogênea, tarefa quase impossível dado a diferenças dos alunos no que diz respeito à multiplicidade comportamental da classe, pela formação cultural, econômica e, sobretudo racial.

Ele chama a atenção dos alunos para participação do processo ensino/ aprendizagem, mostrar que eles estão realmente aprendendo. Nos conselhos escolares, busca valorizar o que cada aluno tem de bom, procurando entender também o que leva ou levou o aluno ao ato de indisciplina (caso do Soyleumane).

Destacam-se as atuações da personagem Khoumba, afro descendente, que é uma aluna chamada de desobediente e sem disciplina, por se recusar a atender uma ordem do professor. Esmeralda, mestiça, contesta o professor, sendo que faz parte do Conselho de Classe, e, sobretudo há a atuação do aluno Soyleumane, um garoto problemático que vive em conflito com os professores e com os seus colegas.

No Conselho de Classe os professores discutem sobre o desempenho dos alunos, avaliando os mesmos, e fazem um planejamento. O conselho conta com participação de duas integrantes da turma, supostamente para ajudar, mas não é isso que acontece, pois elas dão muitas risadas, tirando a atenção dos professores.

O filme francês se destaca para nós brasileiros com um problema bem pessoal de países que recebem imigrantes seja pelo xenofobismo exacerbado, contra imigrantes ou contra pessoas vindas de ex-colônias, um caso isolado é o do estudante e de origem chinesa que tem certa aceitação por parte da escola pelo esforço de aprender a língua francesa e o drama da deportação da família por estarem ilegais no país e os professores temem pela perda do aluno, tentando ajudá-lo.

O filme tem muitos pontos de contato com a realidade brasileira, cito: O conflito entre professores e alunos, a agressividade dos educandos, a falta de interesse dos mesmos em relação aos estudos e a não obediência ao educador; com o conflito do professor que para impor sua autoridade leva um aluno (Soyleumane) ao Conselho de Disciplina, mesmo sabedor de que este ato será irreversível e provocará a expulsão dele e sua entrada na marginalidade social.

Essa realidade nos leva a repensar sobre o papel da influência do professor no presente e futuro dos alunos, e que devemos sempre nos manter em equilíbrio e servirmos de bom exemplo e de guia para nossos alunos, mesmo que não sejamos recompensados por isso.

Atila Raphael

Arindo Siston Junio

Bibliografia:

1)DAYRELL, João Guilherme. Entre os muros da escola: exílio, multiculturalismo e zonas de contato.Interdisciplinar.Ano 5, v. 10, jan-jun de 2010, p. 405-416.

http://200.17.141.110/periodicos/interdisciplinar/revistas/ARQ_INTER_11/INTER11_32.pdf

a) BARRETTO, Elba Siqueira de Sá .Políticas de formação docente para a educação básica no Brasil: embates contemporâneos. Revista Brasileira Educação. (online). 2015, vol.20, n.62, pp.679-701.

https://www.scielo.br/scielo.php?pid=S141324782015000300679&script=sci_abstract&tlng=es

b) LAPO, Flavinês Rebolo e BUENO, Belmira Oliveira. Professores, desencanto com a profissão e abandono do magistério. Cadernos de Pesquisa, mar. 2003, no.118, p.65-88. www.scielo.br/pdf/%0D/cp/n118/16830.pdfAtividade: Elaborar 3 ideias interessantes retiradas do texto (Atividade individual 11)

Dia 21 - (Aula 14) – Tema 2 -  Sujeitos da Educação – questão da diversidade étnico racial 

Bibliografia:

a) GOMES, Nilma Lino. Relações Étnico-raciais, educação e descolonização dos currículos. Currículo sem Fronteiras, v.12, n.1, pp. 98-109, Jan/Abr 2012

https://d1wqtxts1xzle7.cloudfront.net/45413987/5_Gomes_N_L_Rel_etnico_raciais_educ_e_descolonizacao_do_curriculo.pdf?1462562801=&response-content-disposition=inline%3B+filename%3DRELACOES_ETNICO_RACIAIS_EDUCACAO_E_DESCO.pdf&Expires=1620272184&Signature=ET4isIAZ7d7vS2JII4yFTrTpjcU430uytYygjGUem3MpdojjwwvlmkpCDs0CMoO3kbF5pG4RvwPew-bYZClBiE7baGcl6j0fqnozroGUEasnpRebee-GM9P2xPumapl8AYPohtEhvHuXry1lif4AAO~HQ7ri9WgUEKcMVIl~teNeg6sQyMOmom4iv4HV9deXGrYBsibnudsJXFt0qRGyQEDzgGa9gFvGWJ4nRi-SdsxTR5DMezpgoZoikkaOuSh6OAJoBhv9MmvvHQcfGygBabJyfTZFOKUTIcKorGkD7OYx-dz3BGWb3G6b9wJG8f2d-ws50nZmpwQzKl-lCLBLRQ__&Key-Pair-Id=APKAJLOHF5GGSLRBV4ZA

b) RAMOS, Marise Nogueira; ADAO, Jorge Manoel; BARROS, Graciete Maria Nascimento. Diversidade na educação: reflexões e experiências. Brasília: Secretaria de Educação Média e Tecnólogica. 2003. 170p.

http://forumeja.org.br/sites/forumeja.org.br/files/Diversidade-na-educaCAo-reflexOes-e-experiências_Marise_Ramos.pdf#page=69

b) Entrevista – Profa. Dra. Nilma Lino Gomes – Programa Diversidade

O repórter Leandro Pedrosa entrevista Nilma Lino Gomes, pedagoga brasileira. Nilma tornou-se a primeira mulher negra do Brasil a comandar uma universidade pública federal, ao ser nomeada reitora da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), em 2013. Tem se posicionado, frequentemente, na luta contra o racismo no Brasil. Em 2 de outubro de 2015 foi nomeada pela presidente Dilma Rousseff para ocupar o novo Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, que uniu as secretarias de Políticas para Mulheres, Igualdade Racial, Direitos Humanos e parte das atribuições da Secretaria-Geral. Permaneceu no cargo até o dia do afastamento de Dilma pelo Senado Federal. Realizada em 11 de setembro de 2019

https://www.youtube.com/watch?v=-6mNGmegaOA

Atividade: Elaborar 3 ideias interessantes retiradas do texto ou da entrevista. (Atividade individual 12)

Dia 28 (Aula 15) – Tema 3 - Educação Escolar Indígena e Escola do Movimento Sem Terra

Bibliografia: 

a) COHN, Clarice. Educação escolar indígena: para uma discussão de cultura, criança e cidadania ativa. Perspectiva, Florianópolis, v. 23, n. 02, p. 485-515, jul./dez. 2005 file:///C:/Users/MAURILANE/Downloads/9804-29234-1-PB.pdf

b) Vídeo: Educação Escolar Indígena 18 de nov. de 2010

https://www.youtube.com/watch?v=cWUZCJQZlRw

Atividade: Elaborar 3 ideias interessantes retiradas do texto ou do vídeo 

Escola do Movimento Sem Terra

Bibliografia: 

a) CALDAR, Roseli Salete. O MST e a formação dos sem terra: o movimento social como princípio educativo. Estudos Avançados. 2001, vol.15, n.43, pp. 207-224. (http://www.scielo.br/pdf/ea/v15n43/v15n43a16.pdf)

b) Vídeos:

1) Angela Davis na Escola do MST

Durante visita a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF), Angela Davis parabeniza a luta pela terra e fala sobre a importância das relações entre raça, classe e gênero em entrevista ao MST. https://www.youtube.com/watch?v=ZiY2MXZ7yKk2)

2) Programa Brava Gente Brasileira – Tema Escola do Movimento Sem Terra

https://www.youtube.com/watch?v=jg-fuTVLUEc

Atividade: Elaborar 3 ideias interessantes retiradas do texto ou do vídeo (Atividade individual 12);

Encerramento do Curso 

Linha do Tempo da História da Educação no Brasil

https://www.youtube.com/watch?v=VoTX8_pPrQE


Entrevista com Emília Viotti da Costa

Emília Viotti da Costa Para historiadora, Brasil enfrenta o paradoxo de ser um país que reconhece o papel do escravo na construção da socied...